Cerca de 21 mil trabalhadores da
Petrobras estão em greve em todo o país contra as demissões em massa na Fábrica de Fertilizantes
Nitrogenados (Fafen) e o descumprimento de cláusulas do acordo coletivo de
trabalho (ACT). A paralisação atinge 121 unidades, entre plataformas (58),
campos terrestres (8), refinarias (14), segundo novo balanço da Federação Única
dos Petroleiros (FUP).
Nesta segunda-feira (17), trabalhadores
da Usina Termelétrica Nova Piratininga, na zona sul de São Paulo, aderiram à
greve. No final da noite de domingo (16), foi a vez dos petroleiros da
Província Petrolífera de Urucu, no Amazonas, o maior campo de produção
terrestre da Petrobras, entregaram a operação da unidade. “Não estamos à
venda”, gritavam ao desembarcar no terminal aquaviário de Coari.
Também no domingo (16) os petroleiros
de Belo Horizonte chamaram a atenção para a greve com uma bicicletada na Lagoa
da Pampulha, chamada “pedal da resistência”. Além das cláusulas trabalhistas,
os petroleiros protestam contra o desmonte promovido na estatal, com a venda de
ativos importantes como a privatização de oito refinarias – quatro em estágio
avançado.
Os petroleiros também contestam a
política da Petrobras, instituída durante o governo Temer e mantida durante o
governo Bolsonaro, que atrela o preço dos combustíveis à variação do mercado
internacional. Por isso, os petroleiros vem realizando venda de botijões de gás a preços populares, não apenas para angariar o
apoio da população, como para mostrar que a política de preços poderia ser
diferente daquela adotada atualmente.
‘Greve perigosa’
Para o professor titular de Direito
Econômico e Economia Política da Faculdade de Direito da Universidade de São
Paulo (USP) Gilberto Bercovici, trata-se de uma greve perigosa “porque
ela demonstra que os trabalhadores podem lutar de forma organizada em defesa
não só dos seus interesses, mas em defesa do Brasil”. E também serve para
conscientizar a população contra a política de desmonte.
Em artigo no portal Disparada, o jurista também afirma que a greve serve para
desmontar a campanha de desinformação, fake news e mentiras
propagadas para defender a política de privatização e entrega do patrimônio
nacional pelo atual governo e seus apoiadores na mídia comercail, nos tribunais
e no sistema político.
Fonte: Rede Brasil Atual






