Galípolo afirma que Lula orientou Banco Central a tratar caso Master de forma técnica

 


O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma narrativa de que estaria sendo alvo de perseguição por parte do mercado financeiro durante uma reunião realizada em dezembro de 2024. Segundo Galípolo, o presidente respondeu que o assunto deveria ser tratado de forma técnica pelo Banco Central.

De acordo com o presidente da autoridade monetária, ele foi convocado para o encontro pelo chefe de gabinete de Lula e participou de uma parte da reunião em que Vorcaro foi o principal interlocutor. Também estavam presentes o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o então ministro da Casa Civil, Rui Costa, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o então sócio de Vorcaro, Augusto Lima.

Durante depoimento na CPI do Crime Organizado, Galípolo relatou que Vorcaro sustentou que as dificuldades de captação enfrentadas pelo Banco Master seriam consequência de uma suposta perseguição do mercado, motivada pela concorrência que a instituição estaria gerando.

“Quando cheguei, estava uma narrativa de que estavam sendo perseguidos pelo mercado e que a dificuldade de fazer captação era derivada dessa persecução dada a concorrência que estavam gerando no mercado. O que não era muito aderente dado o tamanho do Master”, disse.

Segundo Galípolo, Lula deixou claro que a questão não era responsabilidade direta da Presidência e que o Banco Central deveria conduzir a análise de forma técnica e autônoma. Após a reunião, a orientação recebida foi manter uma atuação técnica e independente.

“Seja técnico, o mais técnico possível. Você tem autonomia nesse processo para perseguir seja quem for e investigar seja quem for, mas também não faça nenhuma pirotecnia. A orientação sempre foi essa: não proteja ninguém, não persiga ninguém.”

Reuniões com Alexandre de Moraes

Galípolo também afirmou que todos os encontros com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram como foco a discussão sobre a aplicação da Lei Magnitsky e não o caso Banco Master. Segundo ele, reuniões com outros ministros do Supremo também trataram do mesmo tema.

O presidente do Banco Central destacou que qualquer assunto envolvendo familiares de ministros ou dados financeiros está protegido por sigilo, o que impede a divulgação de detalhes.

“Todos os temas que foram debatidos com ministros do Supremo foram relativos à Magnitsky e qualquer tema que eventualmente possa ter surgido envolvendo familiares, sigilo bancário de familiares, sigilo financeiro de familiares, eu tenho dever de preservar.”

Galípolo também negou ter mantido conversas telefônicas com Moraes e explicou que a ausência de registros formais das reuniões nas agendas se deve à necessidade de preservar informações sensíveis, especialmente relacionadas a sigilo bancário e riscos de sanções internacionais a instituições financeiras.

Sigilo e preocupação com sanções

Segundo o presidente do Banco Central, a discussão sobre a Lei Magnitsky envolvia a possibilidade de sanções a familiares de ministros e exigia cautela devido ao compartilhamento de dados financeiros sensíveis. Ele afirmou que qualquer descumprimento da legislação internacional poderia trazer riscos e penalidades severas a bancos brasileiros.

Com isso, Galípolo reforçou que a atuação do Banco Central no caso Banco Master segue critérios técnicos, com autonomia e respeito ao sigilo das informações, buscando evitar questionamentos futuros e garantir a segurança do sistema financeiro.

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