Prazo terá início a partir da alta hospitalar. Ministro do STF acolheu pedido da defesa, que teve parecer favorável da PGR. Bolsonaro está internado tratando uma broncopneumonia.
O ministro Alexandre de Moraes,
do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) passe a cumprir pena em prisão domiciliar por 90 dias para a recuperação
de uma broncopneumonia.
Após esse período, os requisitos
para que Bolsonaro permaneça ou não em prisão domiciliar humanitária serão
reanalisados. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por
tentativa de golpe de Estado. Até ser internado, cumpriu 119 dias de prisão,
menos de 1% da pena.
"O ambiente domiciliar é o
mais indicado para preservação de sua saúde, uma vez que, conforme literatura
médica, devido às condições mais frágeis do sistema imunológico de idosos, o
processo de recuperação total de pneumonia nos dois pulmões, com retorno da
força, fôlego e disposição, pode durar entre 45 (quarenta e cinco) e 90
(noventa) dias", diz a decisão de Moraes.
Além disso, Bolsonaro precisará
usar tornozeleira eletrônica e estará proibido de utilizar smartphones,
celulares, telefones ou outros meios de comunicação, mesmo que por meio de
terceiros. O ex-presidente também não poderá utilizar redes sociais e gravar
vídeos ou áudios.
Moraes atendeu a um pedido da
defesa de Bolsonaro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já tinha
manifestado ser a favor da flexibilização de regime em razão do quadro de saúde
do ex-presidente. (veja onde Bolsonaro cumprirá pena)
Moraes entendeu que o local onde
Bolsonaro cumpre pena, conhecido como Papudinha, em Brasília, tem plenas
condições de garantir a "saúde e dignidade" do ex-presidente. Na
avaliação do ministro, Bolsonaro poderia ter acelrado o atendimento dos socorristas
se tivesse acionado o "botão do pânico" a que tinha acesso.
O ministro levou em consideração
a alegação dos advogados de que “a gravidade e a rápida evolução do quadro
clínico [de Bolsonaro] foram igualmente evidenciadas pelo exame de imagem
realizado no contexto da internação".
"Demonstra que a concessão
de prisão domiciliar humanitária temporária é a indicação mais razoável para a
plena recuperação do custodiado e posterior realização de perícia médica para
prorrogação do prazo se necessário", afirmou o ministro.
Em 13 de março, Bolsonaro deixou
a unidade prisional após apresentar um quadro de broncopneumonia e precisar ser
internado.
Na decisão desta terça, Moraes
faz um balanço dos atendimentos e atividades de Bolsonaro na prisão entre 15 de
janeiro e 11 de março:
recebeu atendimento médico
permanente e diário em 206 ocasiões diferentes, três vezes ao dia;
recebeu visitas permanentes sem
necessidade de novas autorizações judiciais de sua esposa, filhos, filha e
enteada;
recebeu 40 visitas de terceiros
solicitadas pela defesa;
fez 18 sessões de fisioterapia;
fez 48 sessões de atividades
físicas (caminhada);
recebeu atendimento por seus
advogados em 40 (quarenta) dias;
recebeu assistência religiosa,
inclusive com serviços de capelania, em seis dias.
No sistema penitenciário
brasileiro, apenas 0,6% dos presos em regime fechado cumprem pena em casa após
condenação, como será o caso de Bolsonaro.
Ex-presidente está estável, diz
boletim
O boletim médico mais recente,
divulgado nesta terça-feira (23), informou que Jair Bolsonaro (PL) apresentou
"evolução favorável" e deveria receber alta da Unidade de Terapia
Intensiva (UTI) nas próximas 24 horas.
Na semana passada, o médico
cardiologista Brasil Caiado afirmou que os exames têm demonstrado melhora, mas
a evolução do quadro ainda é lenta. O ex-presidente permanece "estável
clinicamente" e poderá receber alta se a evolução se mantiver "satisfatória".
Saúde de Bolsonaro
Essa não é a primeira vez que
Bolsonaro passa mal desde que foi preso. Em setembro do ano passado, por
exemplo, quando ainda estava em prisão domiciliar, ele precisou de atendimento
médico. Na época, ele apresentou quadro de vômitos, tontura e queda da pressão
arterial.
Já em janeiro deste ano, quando estava detido na Superintendência da Polícia Federal, o ex-presidente precisou ser internado depois de passar mal e bater a cabeça em um móvel da cela.
Nesse mesmo mês, o ex-presidente
foi transferido para a Papudinha, a pedido dos advogados dele. A unidade conta,
entre outras coisas, com apoio de fisioterapia e de médicos 24 horas, barra de
apoio na cama e cozinha.
A prisão domiciliar de Bolsonaro,
na época, foi determinada na investigação sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro,
filho do ex-presidente, para atrapalhar o processo sobre golpe de Estado.
Em 25 de novembro, Moraes
determinou o início da execução da pena de 27 anos e três meses de prisão a que
Bolsonaro foi condenado por liderar uma organização criminosa que agiu para
mantê-lo no poder mesmo após a derrota nas urnas nas eleições de 2022.
Em 15 de janeiro, Moraes
autorizou a a transferência do ex-presidente para uma sala de Estado-Maior
localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar (PM-DF), no Complexo
Penitenciário da Papuda, em Brasília.
No local, Bolsonaro ficou preso
num local com área total de 64,83 m², com quarto, banheiro privativo, cozinha,
área externa para banho de sol e espaço para equipamentos de ginástica. As
visitas familiares foram ampliadas para dois dias por semana, em três horários
distintos.
Pedido negado
No início de março, Moraes negou
um novo pedido de prisão domiciliar sob justificativa de que é uma medida
excepcional e o ex-presidente não atende os requisitos.
Moraes ressaltou que Bolsonaro
mantém intensa agenda de visitas, inclusive de políticos, o que revela um bom
quadro de saúde.
Na época, o ministro citou ainda que a perícia da PF apontou que não havia, naquele momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar, mesmo reconhecendo que possui “quadro clínico o de alta complexidade".
Só na Papudinha Bolsonaro teve
mais de 140 atendimentos médicos, com consultas diárias, não apenas dos médicos
particulares que o acompanham, mas também de médicos e enfermeiros da própria
unidade prisional.
Entenda a cronologia
🗓️ 04/8/2025 - Moraes decreta prisão domiciliar
de Bolsonaro no âmbito da investigação de coação de Eduardo Bolsonaro, seu
filho, no julgamento do processo do golpe;
🗓️ 22/11/2025 - Bolsonaro teve prisão
domiciliar convertida em preventiva, e foi encaminhado para a Superintendência
da PF em Brasília;
🗓️ 25/11/2025 - Moraes decretou trânsito em
julgado no caso da trama golpista, com isso, condenados começaram a cumprir a
pena de forma definitiva;
🗓️ 15/1/2026 - Bolsonaro foi transferido da PF
para a Papudinha;
🗓️ 13/3/2026 - Bolsonaro foi internado na UTI
para tratar uma broncopneumonia;
🗓️ 24/3/2026 - Moraes autoriza que Bolsonaro
volte para prisão domiciliar.
Fonte:G1.com.br
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