Caminhoneiros fecham porto de Santos e apoiam petroleiros
Desde a zero hora desta segunda-feira (17), caminhoneiros ligados
ao Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos (Sindicam) paralisaram o
acesso ao Porto de Santos, apesar de liminar na Justiça que impôs multa diária
de R$ 200 mil para evitar o bloqueio. Eles também apoiam declaram apoio à greve dos petroleiros, que entrou hoje no seu
17º dia.
Segundo
Carlos Alberto Dahmer, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de
Ijuí (Sindtac-Ijuí), os motoristas realizam protestos nas margens das rodovias
em todo país mas, até as 10h da manhã, o único registro de interdições com
bloqueios era o do Porto de Santos.
O movimento deve prosseguir ao menos
até a próxima quarta-feira (19), quando estavam previstas para serem julgadas
no Supremo Tribunal Federal (STF) três ações diretas de inconstitucionalidade
(ADIs), movidas por entidades do setor patronal – a Associação do Transporte
Rodoviário do Brasil (ATR Brasil), que representa empresas transportadoras, juntamente
com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação da Agricultura
e Pecuária do Brasil (CNA) – e contestam a constitucionalidade
da Lei 13.703, de 2018, que instituiu a Política Nacional de
Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.
O ministro Luiz Fux, porém, adiou o
julgamento das ações a pedido da Advogacia Geral da União,
órgão do governo federal. Ainda não há nova data para o julgamento.
Dahmer criticou a política da Petrobras de atrelamento dos
preços dos combustíveis às flutuações do mercado, bem como o desmonte da
estatal, com demissões em massa e venda de ativos.
“Em diversos lugares do mundo se guerreia pelo petróleo.
Aqui se dá de graça, para que os grandes oligopólios se beneficiem. Tiram das
nossas refinarias a sua capacidade, deixam a companhia ociosa para garantir o
lucro das empresas estrangeiras. Essa luta não é só dos caminhoneiros, não é só
dos petroleiros. É de toda a sociedade”, afirmou o presidente do Sindtac-Ijuí
aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil
Atual, nesta segunda-feira (17).
Petroleiros
Já os petroleiros
apontam o risco de desabastecimento por conta da intransigência do governo
Bolsonaro, que segue intransigente e se nega a negociar. Os petroleiros estão em greve,
desde o dia 1º de fevereiro, em defesa da Petrobras como maior patrimônio
público do povo brasileiro, e contra as cerca de mil demissões na Fábrica de
Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR).
Segundo o
diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) João Antônio de Moraes, a
paralisação já atinge 120 unidades da estatal em todo o país, com mais de 20
mil trabalhadores de braços cruzados.
“Sem a Fafen-PR, ameaçada de fechar
após as demissões, vai aumentar a dependência da exportação de fertilizantes.
Se passarem a ser importados, assim como os combustíveis, ficarão sujeitos às
flutuações do mercado internacional, o que deve impactar no preço dos
alimentos”, alerta Moraes.
Também em
entrevista ao Jornal Brasil Atual, ele comemorou a adesão dos “companheiros”
caminhoneiros à luta por uma outra política para os combustíveis.
“Queremos saudar a vinda dos companheiros caminhoneiros.
Eles estão se apercebendo que têm um vínculo muito grande com os petroleiros.
Afinal de contas a matéria prima que move os seus caminhões somos nós que
produzimos. Perceberam que a paridade com o preço internacional é um suicídio
para todo mundo”, disse o diretor da FUP.






