Marco Aurélio diz que Moro agiu fora dos padrões contra Lula
Para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Marco Aurélio Mello, caberia apenas ao Ministério Público Federal (MPF) e não
ao juiz Sérgio Moro, questionar a decisão do desembargador Rogério Favreto, que
determinou a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"O TRF é o revisor dos pronunciamentos da
primeira instância. O titular da décima-terceira vara (Moro) nada tem a fazer.
A parte que pode insurgir-se, no caso, é o Ministério Público”, afirmou o
ministro à colunista Cristina Lemos, do R7. "Decisão judicial,
cumpra-se", acrescentou.
À colunista, o advogado Antônio Carlos de Almeida
Castro, o Kakay, uma das figuras de defesa mais conhecidas do país, também
classificou a atuação de Moro no episódio como "absurda" e "fora
dos padrões do Direito". "Um juiz descumprir a decisão de um
desembargador é ridículo", disse o advogado, para quem o caso aponta
"desajuste" no TRF4 de Porto Alegre.
Mesmo após três despachos do desembargador Fraveto,
no domingo (8), sua determinação não foi cumprida. Primeiro por orientação do
juiz de primeira instância Sérgio Moro e depois, do relator do TRF4 que
endossou a condenação de Lula, Gebran Neto. À noite, o presidente do TRF4,
Carlos Eduardo Thompson Flores, determinou a suspensão do habeas corpus que
concedia a liberdade à Lula.
Na coluna Painel, da Folha de S. Paulo, a avaliação
de ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é que Moro
"escorregou numa casca de banana" ao reagir à decisão de Fraveto e
"pisou em falso" ao ordenar que a Polícia Federal não acatasse a
ordem de soltura de Lula. Além de reforçar a tese de que atua de maneira
parcial contra Lula, a insubordinação de Moro será explorada em ações no
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para pedir punição ao juiz e pela defesa de
Lula nos recursos às cortes superiores.
Fonte: Rede Brasil Atual





