TJ-BA quer criar fundo para garantir segurança de juízes; PL tramita na AL-BA
Quando se fala em juízes
ameaçados, muitas vezes se pensa em um juiz da área criminal. Mas segundo
a presidente da Associação dos Magistrados da Bahia (Amab), Élbia Araújo, os
juízes da área de família sofrem mais com ameaças e tentativas de intimidação.
E isso, muitas vezes, ocorre por falta de estrutura na segurança de fóruns,
principalmente no interior do estado. Uma pesquisa de 2016 do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicava que, naquela época, quatro juízes
baianos estavam sob ameaça. Não há dados recentes e alguns casos não são
divulgados para preservar a segurança e integridade do magistrado. “Já passamos
por situação de uma parte tentar matar a outra dentro da audiência, no
julgamento de uma ação possessória. Isso porque nos fóruns não tem
detector de metal”, conta a presidente da Amab.“O juiz, quando é o único na
cidade, acaba ficando mais exposto. Todo mundo conhece ele, todo mundo sabe
onde ele mora. E na capital, essa imagem do juiz acaba ficando mais
diluída, não é uma figura tão conhecida e tão visada. Nas cidades menores, todo
mundo sabe quem é o juiz”, afirmou. Foi por conta de situações como essa que o
Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) encaminhou um projeto de lei para a Assembleia
Legislativa da Bahia (AL-BA) que prevê a criação do Fundo Estadual de Segurança
dos Magistrados (Funseg-BA). O texto tramita na AL-BA com a numeração
22.802/2018. Segundo a justificativa, o fundo é necessário diante dos
“crescentes índices de criminalidade por que passa a nossa sociedade,
produzindo reflexos diretos na demanda pelos serviços do Poder Judiciário,
estando seus membros mais vulneráveis a ameaças e atentados”. O fundo terá
aporte financeiro de custas processuais, Tesouro Estadual, do Fundo Especial de
Reaparelhamento e Modernização do Poder Judiciário, os originários de convênio
ou subvenções, inclusive doações, entre outras fontes. O aporte das custas será
de 0,5% da arrecadação, suficiente para implantação e manutenção do projeto. O
recurso poderá ser utilizado para aquisição de equipamentos e aperfeiçoamento
do serviço de segurança. O texto, antes de ser encaminhado para AL-BA, foi
aprovado em sessão plenária no TJ. Para Élbia, é importante que parte do
orçamento seja destinado para a segurança institucional. “Esse fundo vem para
reforçar essa segurança, que obviamente, se destina à segurança do
magistrado, mas repercute no local de trabalho como um todo, inclusive na
própria sociedade que frequenta a vara, o fórum”, explica. A representante dos
magistrados lembra casos de arrombamento de fóruns, com roubo de objetos e
armas, e que nem sempre há agentes da Polícia Militar
próximos. O policiamento, atualmente, é feito na sede do TJ, em
Salvador, e nos grandes fóruns de grandes cidades. O apoio da PM em
cidades mais violentas é precário. Com o recurso, poderá se criar uma Polícia
Judiciária, investir em câmeras de segurança, detectores de metais, entre
outras medidas. “Nós, juízes, lidamos com questões de extrema periculosidade e
resvala na questão do sentimento de irresignação das pessoas que não tem seu
pleito atendido. Já houve casos de repercussão nacional, como da juíza Patrícia
Alciole. Há ameaças veladas, de forma declarada, arrombamento de fóruns, tiros
contra a casa de magistrados, em varias cidades da Bahia”, alerta. A
expectativa da presidente da Amab é que o projeto tramite rápido na Assembleia
e que não haverá óbice para sua aprovação, já que o impacto financeiro será
suportado pelas próprias custas do Judiciário. O fundo poderá ser fiscalizado
pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA).
Fonte: Bahia Notícias





