Posição de Lula no STF força ex-presidente e PT a se reinventarem. Mas eles querem?
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, criou uma
situação importante para o cenário político brasileiro ao denegar o pedido de
habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: o PT e esta figura
mítica da política serão obrigados a se reinventar. Independente do placar
final e do que ele apontar. É o mínimo a ser feito, diante do momento político
criado em torno da condenação pelo juiz Sérgio Moro e da manutenção dessa
decisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A grande incógnita do
julgamento, o voto da ministra, logo após ser proferido, fez com que a imprensa
e os juristas praticamente cravassem a rejeição do pedido, mas ainda assim Lula
não se pronunciou nas redes sociais. O PT insistiu na tese da perseguição
política e comparou o ex-presidente a Nelson Mandela, preso na África do Sul em
meio ao regime de apartheid e que depois chegou à presidência daquele país. Não
é a única alternativa possível, mas é a que resta no calor do momento.
Entretanto, não deveria ser esse o caminho a ser seguido pela sigla que
governou o país por mais de 13 anos. A vitimização simplista de Lula pode fazer
diferença para aqueles que coadunam com os conceitos do grupo político da
esquerda. Mas política, como o próprio ex-presidente e seus seguidores pregam,
é a arte do diálogo e o comportamento do petismo contra o resto do mundo não é
o melhor caminho para evitar uma cisma ainda maior no sistema democrático
brasileiro. Lula foi um símbolo da esperança para o Brasil em 2002, quando a
onda vermelha começou a tomar forma e chegou ao comando do país. Desde então,
foram sucessivos escândalos que, aos poucos, foram dilapidando a imagem de mito
e transformando-o em um ser real, passível de falhas. Para os aliados, ele
passou incólume. No entanto, o crescimento do antipetismo mostra que Lula se
tornou ícone de um Brasil que uma parcela expressiva da população não quer.
Enquanto não houver mea-culpa do PT, já que o próprio ex-presidente nunca
pareceu capaz de fazê-lo, o partido vai se apequenar, o que é uma perda para a
nossa frágil democracia.
Fonte: Bahia Notícias






