Paralisação que ocorrerá sexta pode culminar em outras greves setoriais, avalia historiador
A paralisação geral que está marcada para esta sexta-feira (28) poderá
gerar diversas manifestações específicas das categorias, acredita o professor e
historiador político Carlos Zacarias. De acordo com Zacarias, os
“trabalhadores estão contaminados por um sentimento de que é necessário fazer
alguma coisa” e isso abre perspectivas para que outras mobilizações sejam
realizadas. A baixa popularidade do governo faz com que o Palácio do
Planalto fique na defensiva e os trabalhadores passem a ficar na ofensiva,
na avaliação de Zacarias. O historiador afirmou que poucas greves gerais foram
realizadas no país: quatro na década de 80 e duas na década de 90. “As greves
de 90 foram contra o arroxo salarial. Essa greve veio no sentido de recuperar
os salários”, lembra. Para ele, os resultados das greves gerais e das
manifestações setoriais são diferentes. As greves gerais têm “caráter político
diferente”, reunindo pautas de diversas categorias. As greves setoriais, de
grupos específicos, possuem pautas diferentes, que podem ser contabilizadas.
“As greves foram exitosas porque os trabalhadores conseguiram politicamente
representar a insatisfação que tinham com o momento do país”, afirmou Zacarias.
Ele explica que a paralisação da próxima sexta surge após uma derrota do governo
passado – o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff – e da insatisfação da
população com o governo Temer. “Temer está impondo aos trabalhadores sucessivas
derrotas, como a aprovação da terceirização, a urgência na reforma trabalhista
e as mudanças na Previdência. O governo é o mais impopular da história do país
desde os governos militares e apresenta uma agenda contrária a dos
trabalhadores”, afirmou o historiador. Ainda de acordo com Zacarias, a saída
necessária é a convocação de eleições gerais, com base em novas regras, e ter
um próximo governo com maior legitimidade.
Fonte: Bahia Notícias






