Fachin pede manifestação de Janot sobre recurso do PSOL para investigar Temer
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal
Federal (STF), pediu ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que se
manifeste sobre um recurso do PSOL que pede a inclusão do presidente Michel
Temer (PMDB) como investigado em um dos inquéritos abertos com base nas
delações da Odebrecht. O partido discorda da alegação da Procuradoria-Geral da
República (PGR) de que presidentes contam com "imunidade temporária"
e afirma que é possível investigá-lo. O inquérito em que o PSOL entrou com
recurso vai apurar pagamento de vantagens indevidas em um processo licitatório
que o Grupo Odebrecht participou dentro do Plano de Ação de Certificação em
Segurança, Meio Ambiente e Saúde (PAC SMS). O único investigado é o senador
Humberto Costa (PT-PE), mas o ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industrial
Márcio Faria da Silva detalhou um encontro no escritório político de Temer, em
Alto de Pinheiros, em São Paulo, em 15 de julho de 2010, em que afirma ter sido
acertado pagamento de propina de US$ 40 milhões ao PMDB - valor era referente a
5% de contrato da empreiteira assinado com a Petrobras, que totalizava US$ 825
milhões. Mesmo havendo citações a Temer, Janot alegou "impossibilidade
de investigação do presidente da República, na vigência de seu mandato, sobre
atos estranhos ao exercício de suas funções", com base no artigo 86,
parágrafo 4º, da Constituição Federal. Fachin, no despacho em que
autorizou a abertura do inquérito, não chegou a analisar a argumentação da PGR
sobre a não inclusão de Temer no rol de investigados. Apenas chancelou o pedido
apresentado em relação ao senador, que nega qualquer irregularidade. O
PSOL quer a revisão e inclusão de Temer como investigado. O partido sustenta
que "a imunidade prevista pela Constituição Federal à responsabilização de
Presidente da República por ato estranho ao exercício de suas funções não
alcança a fase pré-processual" e afirma que um arquivamento referente a
Michel Temer "causa inequívoco prejuízo ao direito de toda a população
brasileira" de "ver devidamente apurada a existência de infração
penal". Por meio de nota já divulgada, o Palácio do Planalto reforçou que
Temer jamais tratou de "negócios escusos". "Como reiterado em
outras ocasiões, o presidente contesta de forma categórica qualquer
envolvimento do seu nome em negócios escusos." O texto diz ainda que Temer
"nunca atuou em defesas de negócios particulares, nem defendeu pagamentos
de valores indevidos a terceiros".
Fonte: Bahia Notícia






