Juízes pedem escolha de sucessor de Teori após TSE julgar chapa Dilma-Temer
Juízes consideram que a escolha do
sucessor do ministro Teori Zavascki, morto na última quinta-feira (19) deve
ocorrer somente depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluir o
julgamento da chapa Dilma-Temer. Em nota pública, a Associação Juízes para a
Democracia pede "transparência" na indicação do novo ministro do
Supremo Tribunal Federal. O TSE investiga denúncia de irregularidades na
eleição da chapa Dilma-Temer, em 2014. A investigação foi aberta a pedido do
PSDB. "No atual momento de grave instabilidade política no país, tal
questão ganha especial relevância", anota a Associação Juízes para a
Democracia. A entidade aponta para o impedimento de Dilma, decretado no
ano passado. "Tem-se a Presidência da República ocupada após processo de
impeachment concretizado em 2016, cuja legitimidade ainda hoje é colocada em
dúvida por respeitáveis setores do meio jurídico. Há ainda a expectativa de
julgamento a ser realizado perante o Tribunal Superior Eleitoral, que poderá
cassar a chapa política ocupada pela Presidência da República." Os
juízes alertam para o fato de que Teori estava na iminência de homologar a
delação de 77 executivos e funcionários da empreiteira Odebrecht. "Há a
possibilidade de o sucessor da vaga Teori Zavascki exercer a relatoria dos processos
relacionados à Operação Lava Jato, tendo sido noticiado que o falecido ministro
estava prestes a homologar delações de executivos de empreiteira a envolver
agentes políticos próximos ao governo, cujas respectivas responsabilidades
devem ser apuradas conforme os ditames do devido processo legal." Os
juízes revelam preocupação com a informação de que o presidente Michel Temer
"nomeará em breve tempo novo membro do Supremo Tribunal Federal".
Eles defendem amplo debate público, "de forma não afoita", para
garantir "a necessária manutenção da legitimidade democrática da cúpula do
Judiciário". "Os governos passam, mas os membros da mais alta
corte do país permanecem." "A sucessão à vaga de ministro do STF,
aberta após a trágica morte do ministro Teori Zavascki, enseja a reflexão
crítica acerca da atual forma de nomeação de membros da mais alta corte do
país", assinala AJD. Os juízes sugerem mudanças na forma de
composição do Supremo - a regra constitucional impõe que o indicado tenha entre
35 anos e 65, notável saber jurídico e reputação ilibada. "O modelo
previsto na Constituição deve ser democraticamente aperfeiçoado para permitir
candidaturas abertas ao tribunal, debates entre os candidatos à função e
participação de entidades da sociedade civil acerca dos nomes colocados à
discussão, na forma que, há alguns anos, a AJD tem defendido
(http://ajd.org.br/documentos_ver.php?idConteudo=161)", diz o texto
divulgado pela entidade.
Fonte: Bahia Notícias





