Alvo de protestos, Renan sinaliza que vai ouvir a voz das ruas
O
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse, por meio de nota,
considerar os protestos deste domingo (4), que ocorreram em diversas cidades do
país , como "manifestações legítimas" e "que devem ser
respeitadas". O peemedebista foi um dos principais alvos das manifestações
em razão da atuação do parlamentar para acelerar a votação pelo Senado do
pacote de medidas contra a corrupçãoa, que foi aprovado pela Câmara dos
Deputados após sofrer uma série de mudanças em seu texto original.
"Assim
como fez em 2013, quando votou as 40 propostas contra a corrupção em menos de
20 dias, entre elas, a que agrava o crime de corrupção e o caracteriza como
hediondo, o Senado continua permeável e sensível às demandas sociais", diz
a nota curta emitida pela assessoria da presidência do Senado.
Abaixo,
reportagem da Reuters sobre os protestos:
Manifestantes vão às ruas protestar
contra corrupção no país e em apoio à Lava Jato
BRASÍLIA
(Reuters) - Manifestantes tomaram as ruas neste domingo em Brasília, Rio de
Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e outras cidades brasileiras para
protestar contra corrupção, com foco em parlamentares e no presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Com
gritos de "fora Renan" e vestidos com camisas verdes e amarelas e da
seleção de futebol do Brasil, milhares de moradores do Rio de Janeiro foram à
orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O ato a favor da Operação
Lava Jato e contra a corrupção no país teve carros de som, faixas e placas com
frases de protesto, bonecos infláveis e até um homem a cavalo enrolado na
bandeira do Brasil.
O
clima ameno e a falta de som favoreceu o protesto, que começou a tomar corpo no
final da manhã. A Polícia Militar acompanhou de perto o protesto, mas não foram
registrados incidentes. Nem a PM nem os organizadores informaram estimativa de
presentes, mas o grupo fechou as duas pistas da orla, entre os postos 5 e 6, em
Copacabana.
"Nós
não podemos parar e temos que ir até o fim. Aqueles que quebraram o Brasil já
saíram, mas ainda tem muita gente ruim e muito ladrão no Congresso para
vazar. E agora, com medo das ruas e do povo, tentam na calada da noite
intimidar aqueles que estão lutando contra a roubalheira nesse país",
afirmou o comerciante Flávio Santos.
Em
Brasília, a concentração foi em frente ao Congresso Nacional. Também vestidos
de verde e amarelo, o grupo levava cartazes com ratos representando os
parlamentares e em defesa da das medidas contra corrupção. Um dos cartazes
mostrava o presidente do Senado, Renan Calheiros, como um rato com o rabo preso
em uma ratoeira.
Em
nota à imprensa, Renan avaliou que as manifestações são legítimas e devem ser
respeitadas.
"Assim
como fez em 2013, quando votou as 40 propostas contra a corrupção em menos de
20 dias, entre elas a que agrava o crime de corrupção e o caracteriza como
hediondo, o Senado continua permeável e sensível às demandas sociais",
disse.
Os
manifestantes cantavam "Somos Sérgio Moro" a maior parte do tempo e
denunciavam os "ratos" do Congresso.
"Nós
deixamos esses ratos nos governarem por tempo demais", disse Sônia, uma
das manifestantes, que preferiu não dar seu sobrenome por ser funcionária
pública. "Renan é o maior canalha de todos", disse, referindo-se aos
11 casos de corrupção sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) e seu
papel na tentativa de acelerar a votação no Senado do pacote anti-corrupção,
alterado na Câmara.
"Os
deputados nem se importam mais com que o povo nas ruas pensa, estão mais
preocupados em não serem presos do que em se reeleger", afirmou.
Também
em nota divulgada nesta tarde, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ),
destacou que as manifestações são consideradas "democráticas".
"Manifestações
desse tipo, em caráter pacífico e ordeiro, servem para oxigenar nossa jovem
democracia e fortalecem o compromisso do Poder Legislativo com o debate
democrático e transparente de ideias", disse.
De
acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal, cerca de 5 mil pessoas
compareceram à manifestação em Brasília, enquanto os organizadores calcularam o
grupo em 15 mil pessoas.
Protestos
aconteceram durante a manhã também em Belo Horizonte, onde cerca de 5 mil
pessoas ocuparam a praça da Liberdade, no centro da cidade, e em Recife, onde o
mesmo número protestou na orla da cidade, de acordo com informações da Globo News.
Em
São Paulo, onde a manifestação começou à tarde na Avenida Paulista, uma grande
faixa com os dizeres "Congresso Corrupto" foi estendida na rua.
Manifestantes gritavam "Viva Sérgio Moro" e "Fora Renan",
com a maior parte do público se posicionando nas proximidades dos seis carros
de som que ocupavam a avenida.
INSATISFAÇÃO
As
manifestações, marcadas em mais de 140 cidades do país, miram principalmente a
classe política, em especial os parlamentares, depois que nesta semana foram
aprovados projetos polêmicos que, segundo investigadores da operação Lava Jato,
ameaçam as investigações sobre o bilionário esquema de corrupção na Petrobras.
A aprovação com alterações pela Câmara dos Deputados das chamadas medidas
contra a corrupção gerou reações contrárias de diversas entidades e
autoridades, como a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia,
o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e dos membros da força-tarefa
da Lava Jato, que ameaçaram com uma renúncia coletiva caso o texto aprovado
seja sancionado. Isso, aliado à tentativa fracassada de parte dos senadores de
acelerar a votação na Casa do pacote aprovado na Câmara, deve dar combustível
aos manifestantes, que prometem protestar contra "o jeito corrupto de
fazer política" e a favor da Lava Jato. A semana que passou também foi
marcada por protestos violentos em Brasília na terça-feira, contra a Proposta
de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um limite para os gastos públicos
e que foi aprovada em primeiro turno no Senado. Diante desse cenário, o
presidente Michel Temer disse na quinta-feira, em discurso feito durante evento
em São Paulo, que as manifestações de rua são próprias da democracia e não
preocupam o governo. Reconheceu, entretanto, que é necessário ouvir. "O
Executivo e o Legislativo têm que levar muito em conta a opinião pública, e é o
que se deve fazer no país", defendeu o presidente que voltou, mais uma vez
a afirmar que é necessário "pacificar o país".
(Fonte Brasil 247)





