Temer vai responder a perguntas da PF sobre Porto de Santos
O presidente Michel Temer vai
responder a todas as 50 perguntas que lhe foram encaminhadas pela Polícia
Federal no inquérito sobre suposto esquema de corrupção no Porto de Santos,
apesar de sua defesa considerar alguns dos questionamentos “impertinentes”. As
respostas à PF estão sendo preparadas em conjunto pelo emedebista e o
criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira, seu advogado e conselheiro.”O
presidente está respondendo a todas as questões, embora considere muitas delas
absolutamente impertinentes”, disse Mariz. Ao contrário do ano passado, quando
em junho ignorou a PF e não respondeu a nenhuma das 82 indagações feitas no
âmbito de outro inquérito – sobre corrupção passiva, obstrução da Justiça e
organização criminosa no caso do Grupo J&F -, desta vez o presidente
decidiu responder.Temer e Mariz se reuniram na quinta-feira, em São Paulo,
depois que o presidente passou pelo Hospital Sírio-Libanês. Na próxima semana,
as respostas deverão ser protocoladas no Supremo Tribunal Federal (STF). O
relator do inquérito na Corte é o ministro Luís Roberto Barroso. O ponto
central da investigação é um decreto que teria favorecido uma empresa que atua
no Porto de Santos. “Da outra vez, também foi assim. O presidente não respondeu
a nenhum questionamento porque avaliamos que tais perguntas não guardavam
nenhuma relação com os fatos objeto daquele inquérito. Desta vez, consideramos
que muitas indagações, de fato, não têm pertinência com este inquérito (Porto
de Santos), mas vamos responder”, afirmou o advogado.Ainda segundo o
criminalista, “muitas dessas questões dizem respeito a um período anterior à
sua ascensão à Presidência da República”. “O presidente só está obrigado pela
Constituição a responder em relação a fatos contemporâneos à Presidência,
ocorridos durante o exercício da Presidência”, reiterou Mariz. “De modo que ele
está respondendo a todas as perguntas, mas com essas ressalvas.”
Estadão





