Interior da Bahia já percebe sinais de mudança política e desgaste das promessas do governo








Prefeitos começam a questionar compromissos não cumpridos enquanto cresce a possibilidade de vitória da oposição já no primeiro turno em 2026.

A política baiana vive um momento de forte transformação nos bastidores, especialmente no interior do estado, onde cresce a percepção de desgaste do atual grupo governista diante do acúmulo de promessas ainda não cumpridas. O cenário ganhou ainda mais força após a divulgação da mais recente pesquisa da Quaest nesta quarta feira, 29 de abril, indicando um quadro em que a eleição para governador pode ser decidida já no primeiro turno, sem necessidade de segunda disputa em 2026.

Enquanto o governo estadual amplia anúncios de convênios e investimentos milionários para centenas de municípios, prefeitos começam a enfrentar uma realidade bem diferente da apresentada nos palanques. Os números impressionam, com promessas envolvendo pavimentações, escolas, creches, unidades de saúde, pontes e estradas. Porém, na prática administrativa, a assinatura de convênios representa apenas o início de um longo caminho burocrático que passa por projetos, pareceres jurídicos, licitações, contratos e liberações financeiras.

Mesmo em cenários considerados eficientes, obras públicas costumam levar meses até sair efetivamente do papel. Em muitos municípios, prefeitos já convivem com promessas antigas ainda não iniciadas e relatam desgaste crescente após inúmeras viagens a Salvador em busca de respostas, autorizações e liberações prometidas pelo governo. Nos bastidores, aumenta a sensação de que o estado segue alimentando expectativas sem capacidade real de cumprir o volume de compromissos assumidos.

A avaliação que ganha força entre gestores municipais, conselheiros políticos e lideranças regionais é que o governo estadual entrou em uma espiral de promessas mirabolantes, projetando entregas para os próximos quatro anos, mesmo diante da possibilidade de não permanecer no poder a partir de janeiro de 2027. Muitos prefeitos já fazem contas reservadamente e chegam à conclusão de que, se o governo interrompesse hoje os anúncios, ainda assim não conseguiria executar sequer um terço das obras já prometidas aos municípios baianos.

O problema se agrava diante do calendário eleitoral. Grande parte dessas intervenções dificilmente estará concluída ou em estágio avançado até as eleições de 2 de outubro de 2026. Em muitos casos, as obras ainda poderão estar em fase de licitação ou contratação quando o eleitor for às urnas. O tempo da administração pública não acompanha o ritmo do discurso político.

Nesse ambiente, cresce no interior baiano a percepção de uma possível reviravolta eleitoral com a consolidação do nome de ACM Neto como favorito na disputa pelo governo. Mais do que as pesquisas, pesa também o sentimento popular de frustração diante de obras anunciadas e não entregues ao longo dos últimos anos.


A fórmula dos votos válidos usada pela Justiça Eleitoral considera apenas os votos destinados aos candidatos, excluindo indecisos, brancos, nulos e eleitores que afirmam não votar. Na pesquisa Quaest registrada no TSE sob o nº BA-03657/2026, ACM Neto aparece com 41%, Jerônimo Rodrigues com 37%, Ronaldo Mansur com 1% e José Estevão com 0%, totalizando 79% de votos válidos no cenário pesquisado. Para calcular o percentual real dentro desse universo, divide-se o percentual do candidato pela soma dos votos válidos e multiplica-se por 100. Assim, ACM Neto fica com aproximadamente 52,6% dos votos válidos (41 ÷ 79 × 100), ultrapassando o limite de 50% exigido para vencer a eleição no primeiro turno, sem necessidade de segundo turno.

Nos bastidores políticos, já existe quem aposte em um fenômeno considerado iminente. Gestores desencantados com tantas promessas não cumpridas começam a avaliar o custo político de permanecer vinculados a um grupo cada vez mais questionado por seus próprios munícipes. A pergunta que passa a circular com força é quem será o primeiro prefeito a abandonar oficialmente a base governista e abrir caminho para que outros façam o mesmo.

Afinal, restam apenas cinco meses para as eleições e além das pesquisas eleitorais, cresce entre prefeitos e lideranças do interior a convicção de que o governo apostou em uma estratégia baseada em anúncios grandiosos, mas distante da capacidade real de execução. E quando a população começa a perceber a diferença entre promessa e entrega, a mudança política deixa de ser apenas uma possibilidade e passa a ser tratada como um cenário cada vez mais provável na Bahia.

 Fonte: Jornal Eco