Estudo projeta 4,6 mil casos de Covid-19 e 187 mortes na Bahia no dia 4 de maio
"Nesse cenário, dentre vários que podemos apresentar,
mostramos o que pode acontecer se a gente confiar em afrouxar esse isolamento
social para as pessoas assintomáticas. No boletim é possível ver os efeitos
desse afrouxamento nos números de casos totais, mortes, internações e UTI”,
completa.
Os boletins são produzidos semanalmente desde o início de
abril. A última versão leva em conta os números obtidos até o último dia 26, e está disponível on-line e aponta
outras projeções.
Segundo
a publicação, em caso de relaxamento das medidas restritivas contra a Covid-19,
em benefício de pessoas assintomáticas, a Bahia teria um aumento de 50% na taxa
de transmissão deste grupo.
“A
gente vê que, considerando esse cenário em que se possibilita o aumento da
circulação de 50% dessas pessoas assintomáticas, poderia causar, em curta
janela, um aumento de 75% na curva de casos, 23% de aumento no número de
óbitos, 58% de aumento na necessidade de leitos clínicos e 68% nas necessidades
de leitos de UTI", disse.
"Esses números mostram o comportamento, mas é algo que
já é impactante com as medidas. Se houver relaxamento agora, ao invés de
intensificar as medidas, será catastrófico tanto em número de óbitos como no
número de necessidades de leitos hospitalares do serviço de saúde”, alertou
Juliane Oliveira.
Com
relação aos leitos, o estudo da Rede CoVida também aponta um crescimento de
quase 100% em menos de uma semana.
“Passaríamos
de 177 leitos ocupados no dia 26 de abril para 316 leitos ocupados no dia 4 de
maio, considerando o cenário. Num cenário considerado mais pessimista, serão
necessários cerca de 474 leitos para atender as pessoas infectadas pelo
Covid-19, no dia 4 de maio, no estado da Bahia”, aponta a publicação.
“Em
termos de leitos de UTI, passaríamos de cerca de 73 leitos ocupados em 26 de abril
para cerca de 158 leitos em 4 de maio, considerando que 25% das pessoas
infectadas precisassem de algum tipo de internação. No cenário mais pessimista,
seriam necessários cerca 237 leitos de UTI para atender os casos severos de
Covid-19, no dia 4 de maio”, completa o texto.
Conforme
o boletim da Sesab, dos 785 leitos disponíveis do Sistema único de Saúde (SUS)
exclusivos para Covid-19, 276 possuem pacientes internados, o que representa
uma taxa de ocupação de 35%. No que se refere aos leitos de UTI adulto e
pediátrico, dos 318 leitos exclusivos para o coronavírus, 137 possuem pacientes
internados, compreendendo uma taxa de ocupação de 43%. Novos leitos deverão ser
abertos nas próximas semanas.
Recomendações
do estudo
· Manter
as estratégias de distanciamento social, o uso de máscaras caseiras, a
identificação por meio de testes e o isolamento dos indivíduos infectados são
ações que continuam sendo essenciais para reduzir a velocidade de transmissão
do vírus e evitar a sobrecarga dos serviços de saúde com consequente aumento no
número de óbitos;
· Ampliar
a capacidade de internação em Unidades de Tratamento Intensivo,
disponibilizando leitos, equipamentos e profissionais de saúde em número
suficiente para atender simultaneamente a cerca de três mil pessoas acometidas
de Covid-19;
· Mobilizar
e treinar em cuidados intensivos profissionais de saúde formalmente habilitados;
· Considerar
a possibilidade de regulação única dos leitos públicos e privados como
estratégia de rápida ampliação da capacidade de internação de casos de Covid-19;
· Estimular
a produção local e nacional de equipamentos necessários para as UTIs;
· Assegurar
o abastecimento de insumos, coordenando as ações de compra e logística.
Método utilizado
O
estudo da Rede CoVida utiliza como método o número de pessoas que um paciente
contaminado com coronavírus pode infectar, chamado de “número de efeito
reprodutivo”, ou “rt”. Segundo a publicação, em março o “rt” da Bahia era de
aproximadamente 3. Hoje, o índice encontra-se inferior a 1.
Contudo,
a publicação aponta que a Bahia possui um grande número de casos em análise.
Atualmente, são mais de 3,7 mil amostras em investigação. A pesquisadora
Juliane Oliveira acrescenta que outros fatores podem influenciar nas projeções.
“É
um modelo que utilizamos. Ainda tem limitações, depende de vários parâmetros e
que temos um escasso número de informação para medir os parâmetros. (...) Na
medida que o número de pessoas aumenta, esse parâmetro pode variar dado as
circunstâncias. A superlotação pode provocar aumento na taxa de mortalidade. A
medida que formos apresentando novos boletins, vamos incluir modelos para
responder as perguntas da sociedade”.





