Mensagens entre Moro e procuradores da Lava Jato repercutem na imprensa internacional
As mensagens reveladas por The
Intercept Brasil envolvendo o atual ministro da Justiça e ex-juiz, Sergio Moro,
e os procuradores da força tarefa da Lava Jato em Curitiba são assunto na mídia
internacional. O site do jornal El Clarín, da Argentina, abre sua matéria
dizendo que “os procuradores brasileiros atuaram deliberadamente e em ocasiões
coordenadas com o juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, para prejudicar
o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso por corrupção, e para evitar o
regresso da esquerda ao governo”.
Nos trending topics do Twitter,
expressões #VazaJato, #VazaMoro, #EuApoioIntercptBR e #MoroCriminoso superam a
tag #EuApoioLavaJato. Habituado a se manifestar pela rede social, o presidente
Jair Bolosonaro, até 13h10 desta segunda-feira (10) não havia comentado o
assunto e estava a 17 horas sem tuitar nada.
O veículo argentino também destaca a
nota divulgada neste domingo (9) pela defesa de Lula. “A defesa do
ex-presidente afirma que os documentos divulgados por The Intercept Brasil
mostram que a atuação dos procuradores e do ex-juiz, Sergio Moro, teve um ‘objetivo
político’.”
A agência norte-americana Bloomberg
destaca que as mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil mostram Moro
compartilhando informações e dando dicas aos procuradores que trabalhavam no
caso que resultou na condenação do ex-presidente Lula por corrupção e lavagem
de dinheiro. O veículo ainda destaca os esforços dos procuradores em impedir
Lula de conceder entrevista antes da eleição de 2018, com receio de que pudesse
aumentar as chances do candidato petista à presidência, Fernando Haddad.
Amplas repercussões
“Nos últimos cinco anos, a Lava Jato
revelou um enorme esquema de propinas envolvendo as maiores empreiteiras do
país e líderes políticos em contratos com empresas estatais. O presidente Jair
Bolsonaro se beneficiou de uma onda popular de desgosto com a corrupção que o
levou à vitória no ano passado, enquanto seu adversário mais popular estava na
cadeia. A reportagem vem em um momento sensível para o presidente, que está
tentando reunir apoio político para a aprovação de uma polêmica revisão do
sistema de pensões no Congresso”, analisa a Bloomberg.
O site ainda repercute a
análise da consultoria Arko Advice, para quem as reportagens “são suscetíveis
de terem amplas repercussões políticas e jurídicas, incluindo uma possível
tentativa de legisladores de criar uma Comissão de Inquérito no Congresso,
processos judiciais buscando a anulação de sentenças da Lava-Jato, e um eventual
atraso no debate da reforma da Previdência no Congresso”.
O tradicional jornal francês
Le Monde também trata do assunto nesta segunda-feira (10). Em seu site, o
veículo abre sua matéria questionando: “E se o maior escândalo de corrupção na
história do país tivesse sido manipulado?”. Na sequência, o Le Monde diz que
The Intercept Brasil revelou “informações indicando que os responsáveis pela
investigação anti-corrupção ‘Lava Jato’, teriam manobrado para evitar o retorno
do antigo presidente de esquerda Lula ao poder em 2018”.
“Outras mensagens também
revelam que os próprios promotores tinham ‘sérias dúvidas sobre a existência de
provas suficientes da culpa de Lula’ no caso do suborno do apartamento tríplex,
que finalmente o mandou para a prisão por oito anos e dez meses depois de uma
recente revisão de sua sentença”, diz trecho da matéria do Le Monde.
O The Washington Post
informa que as reportagens revelam que o juiz Moro e os procuradores envolvidos
na investigação contra o ex-presidente Lula trocaram mensagens discutindo o
caso. “De acordo com a reportagem, Moro orientou os procuradores, ultrapassando
seus deveres como juiz”, diz o jornal.
Fonte Rede Brasil Atual






