Para aliados, Lula e Temer seriam fieis mesmo com batom na cueca
O ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao noticiário nesta terça-feira (6) após a
Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negar o habeas corpus
preventivo para evitar que o petista seja preso por conta da condenação em
segunda instância. Após o episódio, mais uma vez, Lula veio a público para
assegurar que vai até o fim na tentativa de voltar ao poder. O petista precisa
vender a ideia de que fica na disputa pelo Palácio do Planalto, ainda que não
acredite na possibilidade. Para a massa que apoia o ex-presidente, ele é vítima
de uma conspiração dos donos do poder que almejam apear o povo de uma chance de
melhorar de vida. Pode até aparecer uma cueca cheia de marcas de batom, porém
Lula será inocente de uma eventual traição, tal qual historietas contadas e
recontadas nas rodas de amigos. Não há, como qualquer um já leu ou ouviu, uma
prova concreta que ligue o ex-presidente ao tríplex no Guarujá ou ao sítio de
Atibaia. Pelo menos para aqueles que defendem cegamente Lula e o espírito
democrático brasileiro. Nada colocaria Lula como culpado, apareça o que
aparecer. É nesse ponto que, às vezes, somos obrigados a comparar desiguais. No
mesmo dia em que o STJ negou o habeas corpus preventivo de Lula, o ministro da
Secretaria de Governo, Carlos Marun, reclamou que o Supremo Tribunal Federal
estaria tentando atingir o presidente Michel Temer ao autorizar a quebra do
sigilo bancário do atual ocupante do Palácio do Planalto. Marun, tal qual os
seguidores de Lula, defende piamente que Temer é um anjo de candura e nada nem
ninguém pode macular a imagem do presidente – obviamente por interesses
próprios. A tranquilidade de Marun e Temer possivelmente se arvora numa simples
argumentação: se existe alguma ilegalidade, a quebra do sigilo bancário traria
alguma prova contra o peemedebista? E, mesmo que aponte alguma irregularidade,
os aliados do ex-vice decorativo vão manter a defesa de que Temer é inocente e
que vai até o fim para provar a condição. Ainda que haja uma gravação falando
para manter Eduardo Cunha calado ou um ex-assessor recebendo uma mala com R$
500 mil. Marcela Temer, nesse caso, não teria que se preocupar com manchas de
batom na cueca. Afinal, Temer e Lula, para cada um dos grupos que os apoiam,
são inocentes mesmo que haja um flagrante ilícito. E isso basta. Este
texto integra o comentário desta quarta-feira (7) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para
as rádios Excelsior
FM, Clube FM e Irecê Líder FM.






