Influência dos Vieira Lima e eleições de 2018 fazem deputados avaliarem deixar PMDB
A crise que se abateu sobre o PMDB
baiano após a nova prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que se
encontra atualmente na penitenciária da Papuda, em Brasília, pode ganhar
contornos mais dramáticos. Como se não bastasse a preocupação em debelar o
incêndio provocado pelo encarceramento de sua maior liderança estadual, a sigla
agora precisa lidar com a insatisfação de deputados que têm até cogitado
abandonar o ninho político. De acordo com fontes ouvidas pelo Bahia Notícias,
nos bastidores circula a informação de que Leur Lomanto Júnior e Luciano Simões
estariam dispostos a deixar a agremiação, por conta da atual situação vivida
pelo partido. A eles, poderia se juntar Hildécio Meireles, que, por enquanto,
tem negado a possibilidade, como fez em entrevista ao BN (veja aqui). Segundo um nome ligado ao
partido ouvido pela reportagem, os parlamentares têm tentado algumas ações para
arrefecer a crise. Uma delas é que o deputado Pedro Tavares, alçado ao comando
da sigla na Bahia após o afastamento de Geddel, assuma “de fato” a função.
Apesar de oficialmente no posto, Tavares tem se deparado com o fator Lúcio
Vieira Lima. Irmão do ex-ministro, o deputado federal, que atualmente
preside o diretório do PMDB em Salvador, vinha dando as cartas
internamente, mantendo o papel de domínio do clã Vieira Lima no partido. O fato
tem irritado deputados, que defendem um afastamento cada vez maior da família
do centro de poder peemedebista e a assunção de novas lideranças que possam
oxigenar a sigla. Outra situação que tem preocupado integrantes da agremiação é
a reforma política. Como uma das propostas do texto é o fim das coligações,
políticos partiram para as contas e preveem que, caso esta regra seja aprovada,
nas atuais condições, o partido não teria capilaridade para atrair sozinho um
número robusto de candidatos a deputado, o que poderia inviabilizar seu crescimento
no pleito de 2018. Neste contexto, parlamentares já começam a avaliar se teriam
sobrevivência política caso continuassem na sigla. Nos bastidores, Leur, que
tem pretensões de disputar um mandato como deputado federal, é um dos que mais
demonstra preocupação com esta situação. É por isto que figuras como o prefeito
de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão (PMDB), começaram a vir a público
defender que as portas sejam abertas para receber novos
nomes, fortalecendo, assim, a legenda (leia aqui). Sobre a
ventilada possibilidade de o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis, assumir o
comando do partido, as possibilidades são consideradas remotas. E por
conta de questões jurídicas. Para que Reis ocupe a cadeira de Pedro Tavares
seriam necessárias novas eleições internas. Isso só aconteceria se a atual
executiva do PMDB baiano entregasse os cargos ou se a executiva nacional
destituísse a atual direção, o que é considerado improvável, já que o comando
nacional é ligado ao ex-ministro Geddel. Com isso, Tavares seria a solução mais
concreta e possível para conduzir a sigla até as próximas eleições internas.
Enquanto o PMDB se debate nesta crise, integrantes tentam estancar a sangria e,
aos poucos, buscam dar novos rumos à legenda. No entanto, já deixaram o recado:
caso não haja mudanças, não hesitarão em abandonar o barco.
Fonte: Bahia Notícias






