Barroso é relator de pedido de investigação de Temer sobre Decreto dos Portos
Um dos mais
rígidos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na área do direito penal,
Luís Roberto Barroso foi sorteado relator de um pedido de abertura de inquérito
contra o presidente da República, Michel Temer, em relação à edição do Decreto
dos Portos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a investigação de
Temer e do ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, além de Antônio Celso
Grecco e Rodrimar Ricardo Conrado Mesquita, respectivamente, dono e diretor da
Rodrimar, empresa que opera no Porto de Santos. A relatoria foi redistribuída
após o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal,
e a presidente da Corte, Cármen Lúcia, entenderem que o caso não tinha conexão
com a Lava Jato nem com o inquérito envolvendo a JBS do qual Temer jáé alvo.
Cabe a Barroso, como novo relator, decidir sobre a abertura do inquérito contra
o presidente da República. A necessidade de uma investigação dos dois com
relação à edição do Decreto dos Portos foi inicialmente apontada pelo
procurador em junho, quando a PGR enviou ao Tribunal a denúncia contra o Temer
por corrupção passiva. Na época, Janot apontou a necessidade de apurar
possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva.
Segundo a PGR, durante as investigações relacionadas ao caso da JBS foram
identificados "outros fatos penalmente relevantes, os quais merecem ser
devidamente apurados em inquérito próprio". O relator da JBS, ministro
Edson Fachin, pediu, no entanto, que Janot se manifestasse sobre uma eventual
conexão dessa investigação com um inquérito que já tramitou no Supremo e foi
arquivado em 2011. A investigação anterior começou a pedido da Polícia Federal
em Santos sobre suspeitas de corrupção e fraudes em licitações envolvendo o
porto. O caso subiu para o STF para apurar possível envolvimento de Temer,
então deputado federal, mas foi arquivado pelo ministro Marco Aurélio Mello. Ao
reiterar a necessidade da investigação, Janot pede que o novo inquérito seja
instaurado e distribuído livremente entre os ministros do Supremo.
"Registre-se que entre os fatos (analisados nos autos 3105/STF e objeto do
novo inquérito) há um lapso temporal de mais de 15 anos. Além disso,
verifica-se que o contexto fático a ser investigado é distinto, quando
comparado com o do inquérito 3105, tanto que a capitulação típica inicialmente
vislumbrada difere diametralmente", escreveu o procurador-geral na peça
enviada na quinta-feira, 7, ao STF. "Não há elementos que indiquem a
existência de conexão entre as investigações", afirmou Janot. Apesar de o
pedido de investigação ter sido feito por Janot, caberá a Raquel Dodge, que
assume na próxima semana a chefia da PGR, conduzir o inquérito, caso aberto por
Barroso.
Fonte:Bahia Notícias






