Neto e outros 442 ex-parlamentares denunciados por uso indevido de dinheiro público
A
Procuradoria da República na 1ª Região denunciou na última sexta-feira (28) 443
ex-deputados por uso indevido de dinheiro público, no âmbito do caso que ficou
conhecido como farra das passagens, em 2009. Segundo informações do blog
Congresso em Foco, do portal UOL, entre os ex-parlamentares denunciados estão o
prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM); o ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato
do PDT à Presidência da República; o secretário do Programa de Parcerias de
Investimentos do governo Michel Temer, Moreira Franco; e os ex-deputados
Antonio Palocci (PT) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ),ambos presos pela força-tarefa
da Operação Lava Jato. Por meio da sua assessoria, Neto afirmou que não
utilizou a verba indevidamente. Nenhum dos denunciados exerce atualmente
mandato parlamentar. Não está na lista o presidente Michel Temer, que presidia
a Câmara dos Deputados quando o caso veio à tona. Ele teria cedido sua cota de
passagens para viagens de turismo para a Bahia. A ausência se justifica por
conta do foro privilegiado: congressistas, ministros e o presidente da
República, entre outras autoridades, só podem ser investigados e julgados pelo
Supremo Tribunal Federal (STF). Para isso, a denúncia só pode ser apresentada
pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. As acusações contra os
ex-parlamentares estão distribuídas em 52 denúncias, assinadas pelo procurador
Elton Ghersel. O relator, o desembargador Olindo Menezes, emitirá voto
recebendo ou rejeitando o pedido do MP. O voto dele será levado para julgamento
na 2ª Seção do TRF 1, e caso a denúncia seja aceita, os ex-deputados viram réus
e responderão a ações penais. Ainda constam na lista o prefeito reeleito de
Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB); o ex-governador do Distrito Federal Agnelo
Queiroz (PT-DF); o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e
os ex-deputados Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenados
no mensalão. De acordo com o Congresso em Foco, que denunciou o caso em 2009,
somente na Câmara eram mais de 250 deputados que viajaram para fora do país com
recursos públicos. Investigações foram iniciadas paralelamente para apurar um
esquema de comércio ilegal de créditos aéreos envolvendo assessores e
parlamentares. O MP, com apoio da Polícia Federal, examinou 160 mil bilhetes
aéreos pagos pela Câmara aos deputados entre 2007 e 2009 às companhias Gol e
TAM. Os gastos com esses bilhetes chegaram a R$ 70 milhões (valores da época),
sendo R$ 3,1 milhões com viagens internacionais, para o pagamento de 1.588
trechos, que saíram ao custo de R$ 3,1 milhões. Os voos nacionais foram 112
mil, ao custo de R$ 64 milhões.Veja aqui a lista completa.
Fonte: Bahia Notícias






