PEC 241 é aprovada em segundo turno na Câmara
Brasília
– O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite de hoje (25), em segundo
turno, com 359 votos favoráveis, 116 contrários e duas abstenções, o substitutivo para
a Proposta de Emenda à Constituição 241/16. O texto, de autoria do deputado
Darcísio Perondi (PMDB-RS), impõe limites para os gastos federais para os
próximos 20 anos. Foram mais de sete horas de sessão.
Para que a PEC 241 seja encaminhada
para discussão e votação no Senado, os deputados precisam agora votar os
destaques ao texto.
Em São Paulo, um ato na Avenida
Paulista na noite desta terça-feira os efeitos nocivos da PEC à sociedade
brasileira. As lideranças das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo denunciaram
a mídia tradicional e o governo Michel Temer de iludir a população. Durante
todo o mês de outubro foram realizados protestos contra a medida. Hoje, 1.108
escolas e 82 universidades estão ocupadas contra a PEC e outras medidas nocivas
à educação como a Medida Provisória 746, de reforma do ensino médio, e o
projeto Escola sem Partido.
Nas discussões que precederam a
votação, o líder do governo, deputado André Moura (PSC-SE), disse que a
limitação de gastos é fundamental para a retomada do crescimento econômico e do
emprego e para o fim da recessão. Segundo Moura, a PEC não mexe nos recursos
das áreas prioritárias como a saúde e a educação.
A oposição critica a medida e diz que a
limitação vai retirar recursos das áreas sociais, principalmente da saúde e da
educação. Os governistas rebatem os argumentos e garantem que não haverá cortes
nessas áreas.
O presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), e os aliados do governo esperam concluir a apreciação da PEC na Casa
em novembro para que a proposta seja promulgada e anexada à Constituição
Federal.
Jornada
Durante várias horas, a briga entre
oposicionistas e integrantes da base aliada foi grande, em meio à variação de
assuntos abordados em plena apreciação da proposta e trocas de farpas.Vários
requerimentos foram rejeitados, ao longo do dia. Inclusive um que pedia a
votação da proposta dividindo o texto em blocos e um segundo, que pedia a
votação da PEC item por item.
Dentre as principais discussões, os
destaques continuam sendo danos a serem observados com o congelamento nos
setores de educação e saúde, que foi objeto de um protesto, das galerias por
parte de grupo de estudantes. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) subiu para as
galerias para tentar proteger os manifestantes de algum confronto com a polícia
legislativa, ao ver a tensão instalada.
Já deputado Henrique Fontana (PT-RS)
subiu ao plenário para afirmar que se a PEC já estivesse em vigor, o salário
mínimo só poderia ser corrigido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) “e hoje seria de R$ 500”. “O mesmo raciocínio vale para a saúde e para a
educação, que sempre cresceram acima do IPCA”, afirmou.
O líder do PPS, deputado Rubens Bueno
(PR), rebateu Fontana afirmando que os deputados contrários à PEC “parecem não
ver o tamanho da crise do país”. A cada informação sobre as medidas
apresentadas, pela base aliada, e a cada pesquisa ou estudo divulgado,
mostrando os prejuízos a serem observados com a proposta, pela oposição, outros
argumentos eram rebatidos de imediato num confronto sem fim.
Apelo de Chinaglia
Depois de a Casa ter proibido durante
mais de três horas a presença de pessoas nas galerias para acompanhar a sessão,
o que provocou protestos diversos, Maia quase proibiu a ocupação da área de
vez. Ele aceitou rever sua posição depois que foi procurado pelo ex-presidente
da Casa Arlindo Chinaglia (PT-SP,) que lhe fez um apelo pedindo para que
ponderasse sua avaliação, diante da importância da matéria e sua repercussão
junto à sociedade.
Um pouco antes, deputados entregaram
caixas com aproximadamente 330 mil assinaturas contrárias ao texto da PEC e
recolhidas na plataforma virtual de petições Avaaz. O diretor de relações
institucionais da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, afirmou
que a juventude tem se mostrado preocupada com seu futuro, já que a proposta
trata diretamente dos interesses da juventude brasileira, da educação, da saúde
e dos empregos que deixarão de ser criados.
“Isso que temos demonstrado com a
ocupação de mais de mil escolas, 80 universidades e, a cada dia que passa, mais
universidades se mobilizam, demonstra nossa insatisfação”, acrescentou.
A deputada Erika Kokay (PT-DF)
ressaltou que as articulações dos partidos aliados do governo para derrubar
emendas apresentadas pedindo uma votação mais detalhada da PEC são reflexo do
medo que o Executivo tem, de a matéria ser rejeitada, caso o debate conseguisse
ser mais aprofundado.
“Eles têm medo. Sabem que só podem
votar com esse tipo de estratégia. A pressão do governo golpista para aprovar a
PEC, a celeridade que querem dar à votação é para que o povo brasileiro não
conheça o conteúdo de mais um golpe”, denunciou a parlamentar. A sessão
continua para apreciação dos destaques.
Fonte: Rede Brasil






