PDT atrai novos quadros e aposta em 2018 com Ciro Gomes
O Partido Democrático Trabalhista, desde o ano
passado, tem atraído quadros importantes para suas hostes e não está se
movimentando por meras acomodações partidárias de momento. Esta semana, o PDT
de São Paulo foi notícia duas vezes: o secretário municipal de Educação do
prefeito paulistano Fernando Haddad, Gabriel Chalita, troca o PMDB de Michel
Temer pelo PDT, e o prefeito de Osasco, Jorge Lapas, sai do PT para disputar a
reeleição pela mesma legenda.
As movimentações de Chalita e Lapas estão no
contexto das eleições municipais deste ano. Mas, por outro lado, no plano
nacional, o partido não está pensando apenas no curto prazo. Os movimentos
regionais, como em Osasco e São Paulo, em direção ao PDT, correm paralelamente
ao projeto mais ambicioso do partido para 2018, considerando um cenário
político sem perturbações golpistas. "O PDT está se preparando para ter
uma candidatura viável para a disputa presidencial, que é o Ciro Gomes",
lembra o analista político Antonio Augusto de Queiroz, do Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
O troca-troca partidário na atual legislatura não
provocou grandes mudanças na bancada do PDT no Congresso. No parlamento federal,
o partido se mantém fiel a si mesmo. Conta com 20 deputados e três
senadores. "Os parlamentares que mudaram de partido (com a janela
aberta pela Emenda Constitucional 91/2016) tinham por objetivo disputar a
eleição municipal ou ir para um partido que os deixasse mais confortáveis na
votação do impeachment, o que não é o caso do PDT", diz Queiroz.
Mas
as movimentações pontuais e regionais como as de Chalita e Lapas, com vistas à
eleição municipal, não deixam de ter um significado importante: o PDT é hoje um
partido que tem grande potencial de crescimento, porque atrai quadros
progressistas descontentes ou desconfortáveis em suas legendas. Os aspectos
nacionais deverão ser mais visíveis daqui a dois anos. "Como terá uma
segunda janela em março de 2018, o PDT pode crescer muito no próximo período,
se ficar caracterizado que a candidatura de Ciro Gomes é viável e tem
densidade", avalia o analista.
O
raciocínio de muitos parlamentares que tendem a migrar para o PDT é pragmático:
se a pretensão do partido é de Ciro Gomes se consolidar, eles se mudam para a
legenda com boas perspectivas eleitorais. "Como não vão ser candidatos
agora, não iriam correr o risco de mudar de partido neste momento, sem a
certeza de que vai dar certo."
No Nordeste, a força de Ciro Gomes e seu irmão Cid
é notória, o que é cabal em seu estado. Com a abertura da janela partidária, em
18 de fevereiro, o Partido Republicano da Ordem Social (Pros), que o próprio
Ciro deixou para se filiar ao PDT em setembro de 2015, simplesmente deixou de
existir na Assembleia Legislativa do Ceará. Os nove deputados estaduais da
legenda deixaram o Pros e passaram à bancada do PDT, informou o jornal local O
Povo. A migração já era esperada desde que os ex-governadores e irmãos Cid
e Ciro Gomes anteciparam o novo rumo.
Ciro Gomes é considerado pelo ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva um de seus mais fiéis aliados durante seu primeiro
mandato, quando foi ministro da Integração Nacional, incluindo o
período de crise do "mensalão", que explodiu em 2005.
Dilma
O
PDT conta com a simpatia indisfarçável da maior autoridade do país, a
presidenta Dilma Rousseff, não por acaso. Pouca gente se lembra, mas Dilma, ao
lado de Leonel Brizola, foi uma das fundadoras do partido, em 1980. Brizola
morreu em 1982 e a presidenta ficou no PDT até 2001, quando se transferiu ao
PT.
A
presidenta costuma prestigiar eventos oficiais e não oficiais do partido sempre
que pode. Em 22 de janeiro deste ano, por exemplo, ela foi à convenção nacional
de sua ex-legenda, em Brasília, discursou e foi saudada com palavras de ordem,
como “Dilma, guerreira do povo brasileiro”, “não vai ter golpe” e “Dilma,
guerreira, nossa companheira”.
Na
votação do impeachment na Câmara dos Deputados, que deve ocorrer este mês,
Dilma pode contar com a bancada de 20 deputados do PDT. São cerca de 4% dos
votos do total de deputados na casa. Parece pouco, mas pode ser um número
decisivo.
Fonte: Rede Brasil Atual
Fonte: Rede Brasil Atual





