Aécio diz que aliança é igual à feita por Tancredo

No primeiro ato público ao lado do candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB), Marina Silva (PSB) criticou o clima de “vale-tudo” eleitoral e disse ser preciso resgatar a “ética na política”. O tucano, por sua vez, comparou a aliança selada entre os dois com o movimento que foi feito na década de 1980 para tirar os militares do poder. Marina, que terminou a corrida presidencial em terceiro lugar, anunciou apoio à candidatura de Aécio no último domingo, mas só ontem os dois apareceram juntos em público. Em junho, quando a ex-ministra ainda era vice na chapa de Eduardo Campos, ela chegou a dizer que não subiria “em hipótese alguma no palanque do PSDB”. Ontem, porém, o ato foi marcado por uma intensa troca de elogios entre os antigos adversários. Em seu discurso, o tucano classificou o momento como o “mais importante” da sua “caminhada” até aqui e afirmou que a união com Marina teve como base três eixos: a defesa da democracia, o avanço das políticas sociais e o desenvolvimento sustentável. Já a ex-ministra agradeceu pela forma “generosa” com que estava sendo tratada por Aécio e lembrou que o acordo entre os dois incluía o compromisso com a reforma agrária e com a proteção dos direitos indígenas. Apesar de bastante esperado pelos tucanos, o encontro entre Marina e Aécio durou menos de uma hora e teve como objetivo principal gravar cenas para o horário eleitoral da TV. A ex-candidata surpreendeu aos aliados ao comparecer ao evento com os cabelos presos num rabo de cavalo, sem o seu habitual coque. Aos jornalistas, disse que, como estava gripada, não faria bem prender o cabelo molhado. Essa foi a única declaração dada à imprensa. Marina, que é conhecida por defender a nova política, deixou o local sem comentar, por exemplo, o fato de o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra ter sido acusado de receber propina pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa.
Isadora Peron, Ana Fernandes, Elizabeth Lopes, Estadão Conteúdo