Desmilitarização das polícias?
Temos
analisado alguns artigos e notícias veiculados pela Internet, os quais suscitam
a possibilidade da desmilitarização das polícias. Uns pontuam a formação rígida
dos policias, a qual não coaduna com o mister policial-militar, ante a sua
missão no seio da sociedade; outos sinalizam o excesso do rigor dos seus
pilares básicos: hierarquia e disciplina, que reflete "negativamente"
na prestação do serviço público. Na visão desses "ciosos"
observadores, percebemos que inúmeros aspectos por eles identificados são, em
muitas das vezes, em razão de atrelarem as Polícias Militares à ditadura
militar, instalada no país através do "Golpe Militar" de 1964, se
estendendo aos idos de 1985.
Sem querer
aqui avaliar o período do regime político militar, sentimo-nos excessivamente
tranquilos em asseverar que o mesmo deixou-nos saudades, pois naquela época não
se via o caos - em todos os sentidos e nas várias áreas de trabalho - em que
hoje o país se encontra imerso! O problema da segurança pública no Brasil vai
muito além das conjecturas ideológicas derredor da desmilitarização das
polícias. O nosso é um modelo no mínimo anacrônico, que enseja naturalmente a
ineficiência do serviço prestado na seara de uma pasta tão importante e
complexa, que tanto tem impactado o tecido social: segurança pública.
Como já
tivemos a oportunidade de escrever, o fluxo processual penal perpassa por
algumas fases, que vai desde a ocorrência policial até o julgamento; e entre
uma dessas fases ocorre a interrupção de tal fluxo, em muitas ocasiões,
considerando a falta de subsídios fundamentais para a instauração do devido
inquérito policial, o qual vai balizar a análise por parte do Ministério
Público. E essa interrupção tem sido constatada nas fases que envolvem as
nossas polícias: Militar e Civil. Tal fato se dá em razão de ambas terem
missões distintas, já que à militar cabe a manutenção e a preservação da ordem
pública, através do policiamento ostensivo, fardado, enquanto que a civil cabe
o exercício da polícia judiciária, investigativa. Disso certamente resulta a
discussão tão em voga na atualidade acerca do ciclo completo de polícia,
naturalmente como forma de se buscar otimizar a atuação policial e o seu
desfecho para instâncias outras de apreciação do mérito.
Por outro
lado, há de se considerar, também, a falta de celeridade na fase de julgamento,
já que, assim como as polícias, o Ministério Público e o Judiciário têm suas
dificuldades. Desta forma, pensar na desmilitarização das polícias como forma
de se melhorar a segurança pública no Brasil é se tentar camuflar uma gama de
falhas no processo como um todo, cuja solução não é simplória, já que tende a
alterar toda a estrutura e o modelo atual. O fato de termos uma polícia
militarizada, diferentemente do que alguns pensam, só reforça a certeza e o
entendimento de que, através dos princípios do militarismos, poderemos não
apenas prestar um serviço de excelência à sociedade brasileira - como já o
temos feito, mesmo com todas as dificuldades -, mas também cumprirmos fiel e
rigorosamente a nossa missão constitucional.
* Por Irlando Oliveira
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* Irlando
Lino Magalhães Oliveira é Oficial da Polícia Militar da Bahia, no posto de
Major do QOPM, atual Comandante da 46ª CIPM/Livramento de Nossa Senhora, e
Especialista em Gestão da Segurança Pública e Direitos Humanos.





