A insatisfação do PT baiano, por Raul Monteiro
O movimento “Mudar pra valer”
iniciado por correntes petistas na Bahia que resultou na apresentação do nome
do ex-governador e atual secretário de Desenvolvimento Econômico Jaques Wagner
para a sucessão na presidência do partido é um sinal de que a agremiação deseja
maior presença e participação no governo petista de Rui Costa. Não por acaso a
sugestão do nome de Wagner é para a hipótese de haver uma composição com a CNB
– corrente majoritária que hoje comanda a agremiação com o sindicalista
Everaldo Anunciação -, da qual ele possa emergir como candidato de consenso,
evitando o desgaste de uma disputa.
Caso contrário, o movimento “Mudar pra valer” vai partir
para o bate-chapa no Processo Eleitoral Direto (PED), o sistema de eleições
internas do PT, marcado para maio, com os atuais controladores da máquina
partidária apresentando o nome do deputado federal Jorge Solla. No encontro
promovido pelo movimento que reúne as revoltosas correntes petistas, Solla
chegou a ser apontado, inicialmente, como candidato do grupo para enfrentar
Anunciação. Então, a idéia era finalizar o evento apresentando sua candidatura
para a disputa, no curso da qual os petistas promoveriam um debate que entendem
ser necessário hoje para o partido no Estado.
Com o aprofundamento das discussões, entretanto, a
proposta que acabou prevalecendo foi a de um entendimento que poderia ser
mediado com a construção conjunta da candidatura de Wagner. O surgimento do
“Mudar pra valer” é, por si só, uma evidência de que, depois de 12 anos de
convivência íntima com o poder no governo baiano, uma parte significativa do
partido exige mudanças no relacionamento com o executivo e elas podem estar
relacionadas exatamente à mudança no comando da administração, a qual passou
das mãos de Wagner para Rui. Como se sabe, Solla não é exatamente um petista
disposto a baixar a cabeça para o governo.
No partido, ninguém esquece – muito menos ele – do
desmonte que a atual administração fez da forte estrutura que organizou na área
de saúde do Estado na gestão de Wagner, na qual foi secretário da pasta. Os
petistas que integram o grupo se ressentem de uma postura “mais altiva” do
partido em relação ao governo, com o qual, afirmam, acham que podem contribuir
melhor com sua influência política. Atribuem a atual postura do partido ao fato
de Anunciação ser ligado ao secretário estadual de Relações Institucionais,
Josias Gomes. Um dos exemplos que citam com mais contundência relaciona-se,
curiosamente, à sucessão municipal de 2016 em Salvador.
Acham que o PT cometeu um erro estrondoso ao não
apresentar um candidato para concorrer com o prefeito ACM Neto (DEM), que
acabou se reelegendo com mais de 70% dos votos. E atribuem o que chamam de
“equívoco” da estratégia à submissão partidária ao governo, para o qual o
lançamento de um candidato petista, naquele momento de aprofundamento de
desgaste do partido após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, resultaria
numa derrota que seria colocada exclusivamente no colo do governador. O
resultado é que o governo não conseguiu impor o candidato que queria no aliado
PCdoB, foi derrotado e acabou se desgastando mesmo assim.
Fonte: Bocão News






